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Chegada de Rafa Câmara à Haas Reforça Boa Fase do Brasil na F1

O anúncio da contratação de Rafa Câmara pela Haas, em um contrato plurianual na Fórmula 1, marca um momento histórico para o automobilismo brasileiro. Pela primeira vez desde o fim de 2016, o país terá mais de um piloto no grid da principal categoria do esporte a motor, um cenário bem distante da escassez vivida no início da pandemia, em 2020, quando o Brasil ficou sem representantes na F1.

O fim de um jejum e a reconstrução da presença brasileira

O Brasil sempre foi um mercado estratégico para a Fórmula 1, não apenas pelo prestígio do GP de São Paulo, tradicionalmente elogiado por pilotos e equipes, mas também pelo peso comercial da audiência nacional. Por ser um dos poucos países a transmitir boa parte da temporada em TV aberta, os números brasileiros ajudam a sustentar o discurso de sucesso global promovido pela Liberty Media. Mas a ausência de pilotos entre o fim de 2017 e o início de 2025 cobrou seu preço: sem um representante nacional, a Globo reduziu progressivamente a presença da categoria em sua grade até perder os direitos de transmissão após a temporada de 2020. A F1 migrou para a Band entre 2021 e 2025, mas as limitações de visibilidade levaram ao retorno das transmissões para a Globo.

A virada começou com a chegada de Gabriel Bortoleto à Sauber, fruto de uma trajetória de base meteórica, com títulos consecutivos na Fórmula 3 e na Fórmula 2. Mesmo em uma equipe de meio de grid, o piloto de Osasco se impôs na disputa interna contra Nico Hulkenberg e teve sua temporada de estreia elogiada pela própria Sauber/Audi e pela imprensa internacional.

Câmara chega embalado por uma geração vitoriosa

A contratação de Câmara pela Haas consolida essa retomada. Com ele, o Brasil se iguala a França e Espanha em número de representantes no grid, atrás apenas do Reino Unido, com perspectiva de ampliar essa presença entre os pilotos projetados para 2027. O pernambucano chega à F1 depois de uma sequência de resultados expressivos nas categorias de acesso: foi campeão da FRECA em 2024 e da Fórmula 3 em 2025, além de liderar atualmente a Fórmula 2, categoria cujo desfecho ainda será definido.

Essa trajetória vitoriosa tem raízes em 2022, quando Felipe Drugovich conquistou o título da F2. Bortoleto deu sequência ao levantar os troféus de F3 e F2 em 2023 e 2024, até a ascensão de Câmara consolidar o que já se pode chamar de geração de ouro do automobilismo brasileiro nas categorias de formação. Mais do que títulos, o volume de pilotos brasileiros nos grids também cresceu: Câmara divide a F2 com Emmo Fittipaldi, enquanto Pedro Clerot e Fefo Barrichello competem na F3.

Um movimento que vai além dos monopostos

O bom momento brasileiro não se limita à Fórmula 1 e às categorias de acesso. Felipe Drugovich, mesmo sem concretizar o sonho da F1, estreou com bons resultados na Fórmula E pela Andretti e é aguardado com expectativa na temporada 2026-27, com a chegada do novo carro Gen4. Nos Estados Unidos, Caio Collet teve um primeiro ano sólido na Indy após não conseguir o título da F3, despertando interesse de equipes maiores, enquanto Enzo Fittipaldi busca uma vaga na categoria depois do vice-campeonato na Indy NXT.

No endurance, nomes como Felipe Nasr, tricampeão das 24 Horas de Daytona e três vezes campeão da IMSA, e Augusto Farfus, com longa ligação à BMW, já são referências internacionais. Daniel Serra, piloto oficial da Ferrari em GT3, e Felipe Fraga também mantêm o Brasil em evidência, ao lado de talentos em ascensão como Dudu Barrichello, pela Heart of Racing no WEC e na IMSA, e Alexander Jacoby, recém-campeão da European Le Mans Series na classe LMP3.

Fora das pistas de asfalto, Lucas Moraes trouxe o primeiro título brasileiro no Mundial de Rally-Raid e defende a entrada do Rally dos Sertões no calendário do W2RC. Já nas duas rodas, Diogo Moreira encerrou um jejum de quase duas décadas sem brasileiros na MotoGP e conquistou, na LCR, o primeiro título mundial do motociclismo para o país. Completam esse cenário positivo Aymon Bocanegra, terceiro colocado no Mundial de Yamaha R3, e Enzo Lopes, em ascensão no motocross internacional.